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União da Vitória, 06 de setembro de 2010.
 
 
 
 
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Notícias
05 Ago 2008 . Aparelhos de MP3 são um risco à audição, alertam especialistas

 

 

O hábito, principalmente entre jovens, de ouvir música em tocadores de
MP3 e celulares com o uso de fones de ouvido por longos períodos e
volume alto já causa reflexos em consultórios e clínicas médicas: casos
freqüentes de pacientes com problemas de audição. Apesar de pequenos,
alguns desses aparelhos são capazes de produzir um volume máximo
equivalente ao de uma britadeira, algo em torno de 120 decibéis (dB).

Arquivo Folha Imagem
Apesar de pequenos, alguns aparelhos de MP3 são capazes de produzir um volume máximo equivalente ao de uma britadeira
Nos
últimos cinco anos, houve um aumento de 20% no número de jovens com
menos de 20 anos atendidos pelo Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido,
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). "No
início, nenhum jovem procurava o ambulatório", afirma Tanit Sanchez,
livre-docente da USP e responsável pelo serviço. Atualmente, 311
pessoas estão cadastradas. Dessas, 18 são adolescentes.

Um dos
primeiros sinais de problemas de audição é o aparecimento do "zumbido",
um ruído contínuo que parece um chiado. Imagine, por exemplo, uma
emissora de televisão fora do ar. O problema pode ser agravado pelos
barulhos do dia-a-dia, como trânsito intenso, construção civil e até
mesmo músicas com volume alto em festas.

A pesquisadora ressalva
que não é possível dizer quanto desse aumento pode ser atribuído aos
tocadores de MP3 e dispositivos similares. Mas afirma que lugares
barulhentos, como shows e festas, podem contribuir. Segundo Tanit, a
exposição contínua a sons intensos é responsável pelo zumbido em cerca
de 35% das pessoas que procuram o ambulatório.

Testes feitos em
walkman e tocadores de MP3 mostraram que todos são capazes de
reproduzir música acima dos 100 decibéis, segundo estudo da Associação
Americana de Fala, Linguagem e Audição (Asha, na sigla em inglês),
realizado em 2006.

Sensibilidade

Iêda Russo,
fonoaudióloga e professora da PUC-SP e da Faculdade de Ciências Médicas
da Santa Casa de São Paulo, afirma que a exposição prolongada a um som
com intensidade superior a 90 decibéis pode prejudicar a audição.
Trabalhando há 35 anos na área, ela diz que houve uma mudança
significativa na saúde auditiva dos jovens na última década.

De
acordo com a fonoaudióloga, a exposição dos adolescentes a sons e
ruídos cada vez mais intensos e por períodos prolongados levou a uma
redução da sensibilidade auditiva. Atualmente, na média, os jovens
começam a detectar nos testes sons acima de 10 ou 20 decibéis. Embora
20 decibéis seja um valor aceitável, a fonoaudióloga considera
significativa a redução da acuidade auditiva.

Iêda deixa claro
que não é contra a utilização desses aparelhos, mas afirma que é
preciso ensinar os jovens a tomar cuidado. A fonoaudióloga lembra que a
audição não serve só para comunicação: também é importante para
apreender o que acontece fora do campo de visão. Ela sugere que
adolescentes ouçam música na metade do volume dos aparelhos - de modo
que os amigos ao redor não possam escutar o som.
 
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